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quarta-feira, 23 de março de 2016

Medicação errônea no combate a chikungunya pode levas ao agravamento da doença e a morte.



Médicos pernambucanos, entre eles Carlos Brito, membro do Comitê Técnico de Arboviroses do Ministério da Saúde (MS) e professor de Clínica Médica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), concluíram um protocolo para o tratamento da chikungunya. O documento, que será divulgado oficialmente em breve pelo MS, alerta para o cuidado na administração de alguns tipos de medicamentos que podem causar o agravamento do quadro e até mesmo a morte de pacientes acometidos por esta arbovirose que tem como principais características fortes dores e inflamações nas articulações.

A medida foi tomada após relatos de automedicação e mesmo de prescrição médica de drogas como antiinflamatórios ou corticóides durante a fase aguda da doença e que seria um risco para a saúde dessas pessoas. Nas emergências, pacientes vêm recebendo injecções de dexametasona para aliviar, mais rapidamente, os sintomas de inchaço de que se queixam, inadvertidos do perigo que a droga representa, quando administrada entre o 10º e 14º dias da doença, quando geralmente acontece a fase aguda.

"A medicação com antiinflamatórios e corticóides nesta fase pode levar a complicações porque aumenta o risco de sangramento, complicando para casos de hemorragia e, principalmente nos idosos, podendo levar a um dano renal. Em outros países, como a Colômbia, já se faz essa associação. Aqui os médicos prescrevem por desconhecimento. É natural, é uma doença nova e também as pessoas se automedicam porque sentem muita dor nas articulações", explica Brito, enfatizando a importância do protocolo. Na fase aguda, segundo o especialista, são indicados apenas os analgésicos que podem ser dipirinona e paracetamol. "As dores também regridem com o bloqueio de analgésicos e a inflamação tende a regredir", garante.

Mortes - Ainda de acordo com Carlos Brito, está em investigação o aumento do número de mortes de pacientes acometidos pela chikungunya em Pernambuco, suspeita, segundo ele, já encaminhada à Secretaria Estadual de Saúde (SES) e ao Ministério da Saúde, principalmente em relação a algumas cidades do interior, onde a epidemia de chikungunya estaria acima da média esperada. Para justificar a subnotificação, o especialista tem duas hipóteses:  Os atestados de óbito não trazem a chikungunya como causa da morte porque as pessoas são vítimas da descompensação de outras doenças de base como diabetes, embolia, doenças, cardíacas, mas o documenyo deveria descrever o fator desencadeante. Outra hispótese é que os casos notficados como dengue na verdade são de chikungunya. Não estamos praticamente tendo registro de dengue no estado. Atualmente, em Pernambuco os registros são, em primeiro lugar de chikungunya, zika e, por último dengue. Existe uma dificuldade de notificação", explica.

Questionado se a chikungunya seria hoje a mais letal das arboviroses, o médico atesta: "Acho que é a mais grave. Isso vai ser demonstrado. As  queixas de dores crônicas. Tem fase aguda, a fase crônica, metade dos pacientes se queixam por meses de dor incapacitante. As pessoas não conseguem realizar suas atividades e o número de pessoa atingidas é muito maior", alerta. 

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