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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Dilma considera absurdo questionar casamento gay.

Entrevista concedida ao jornal
"O Globo"


A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira que teve uma política defensiva na economia em relação à crise mundial. Ao ser questionada se mudaria a condução econômica em um eventual segundo mandato, demonstrou irritação: afirmou que esse "tipo de colocação é estagnada". "A gente muda com a realidade. Assumo que tive uma política defensiva em relação a crise". 

Dilma participou de uma sabatina promovida pelo jornal O Globo. O protecionismo adotado pelo governo tem sido defendido pela presidente, no âmbito de sua estratégia de afirmar que "salvou" empregos no país. As medidas protecionistas, contudo, são alvo frequentes das críticas de outros países e de analistas de mercado. Dilma disse também que o Brasil vive hoje uma "crise de representatividade" - e que voltará a tentar uma consulta popular sobre reforma política, caso reeleita.

A petista afirmou que pretende consultar a população acerca de cinco pontos, embora tenha detalhado apenas dois: financiamento público de campanha e tempo de mandato. Não por acaso, o financiamento público de campanha é de grande interesse do PT. Com o fim do financiamento privado, a maior parte do dinheiro teria de sair dos cofres públicos. E a divisão seria feita de acordo com o tamanho das bancadas, o que favoreceria os maiores partidos. A presidente chegou, inclusive, a colocar o tema na lista de perguntas de seu fracassado plebiscito em resposta às manifestações de junho do ano passado. Dilma disse que, apesar da "crise de representatividade", há partidos no Brasil com compromissos históricos, como PT e PMDB. Aproveitou, inclusive, para desvincular sua legenda dos escândalos envolvendo petistas. "É claro que houve os que erraram, mas não se pode crucificar o partido".
Economia - Dilma disse que é a favor da autonomia "operacional" do Banco Central (BC), mas voltou a criticar a proposta da adversária Marina Silva, que propõe uma autonomia maior do órgão. "Eu defendo a autonomia operacional. Independência do Banco Central, não", afirmou. A resposta veio quando a petista foi confrontada com uma afirmação feita por ela mesmo na campanha de 2010: na época, ela afirmou defender a autonomia do BC.

O debate em torno do papel do Banco Central ganhou importância quando a campanha petista passou a atacar Marina Silva (PSB) com o argumento de que a autonomia pregada pela adversária daria um poder excessivo aos banqueiros, já que o governo não teria controle direto sobre as decisões do BC.


Petrobras - Na sabatina, que durou duas horas, a presidente também repetiu o "não sabia" quando tratou do esquema de corrupção operado por Paulo Roberto Costa na Petrobras. Ela ainda rebateu as críticas da candidata Marina Silva lembrando o passado petista da adversária: "O que não é correto, por exemplo, é ela dizer que o PT botou uma pessoa por doze anos para roubar a Petrobras. Isso é inadmissível. Ela esquece que esteve lá. Ou foi membro do governo, como eu, ou na bancada do Senado. Nos quatro anos que ela não participou do governo, foi exatamente quando esse sujeito saiu do governo", disse a presidente.

Dilma também disse não ver exagero nos ataques de sua campanha à adversária Marina Silva. “É muito perigosa essa vitimização da candidata Marina. Eu disse que ela estava sendo financiada por banqueiros, eu disse fatos", declarou a petista, que é quem mais recebeu doações de bancos na campanha eleitoral.

A presidente ainda defendeu o sigilo no contrato de empréstimo para a construção de um porto em Cuba. Ela afirmou que o segredo é necessário por envolver empresas privadas. E não vê nada de errado no procedimento: "Acho que tem um preconceito por ser Cuba".

Casamento gay - Dilma também afirmou que é um "absurdo" discutir o casamento gay porque o Supremo Tribunal Federal já decidiu sobre o assunto. "Isso é uma discussão que foi resolvida no maior nível possível, pelo Supremo. Discutir se tem direito ou não é um absurdo", disse ela. Mas a corte apenas instituiu a união civil, que posteriormente foi convertida em casamento pelo Conselho Nacional de Justiça. Não há legislação a respeito do tema. Em 2010, Dilma afirmou que apoiava a união civil, mas não o casamento gay. "Casamento diz respeito as religiões e não vamos discutir isso", afirmou.

Indagada a respeito de sua religião, que nunca foi um tema completamente esclarecido, a presidente respondeu de forma confusa aos jornalistas de O Globo: disse crer "em todos que creem". E prosseguiu: "Meu Deus é um Deus bom. Não vejo um Deus que seja só de uma religião". 

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